Caixa corta juros no crédito imobiliário e vai renegociar dívidas de 600 mil famílias

Mutuário poderá usar FGTS para quitar até três parcelas atrasadas

A caixa econômica federal vai cortar juros no crédito imobiliário e oferecer novas alternativas para renegociação de financiamento habitacional em atraso, em mutirão que inclui imóveis do Minha casa, Minha vida, anunciou o banco público nesta quarta-feira (5).

As reduções de taxas ocorrem tanto no SFH (Sistema Financeiro de Habitação) para imóveis até R$ 1,5 milhão e que permite o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo e Serviço), quanto no SFI (Sistema Financeiro Imobiliário), para aqueles acima desse valor e sema possibilidade de uso do Fundo.

No SFH, a taxa para clientes com conta na Caixa caiu de TR (Taxa Referencial, hoje zerada) + 8,75% para TR + 8,5%. No SFI, a redução foi de TR + 9,75 para TR + 8,5, também para correntistas do banco. Ambas começam a valer a partir de segunda (a). A taxa Selic está em 6,5% ao ano.

“A grande mensagem aqui é que estamos igualando o funding, seja da classe média ou da classe com pouco mais de poder aquisitivo. A partir da classe mais baixa de renda, a taxa é igual para todo mundo, seja renda média ou renda um pouco superior”, afirmou Pedro Guimarães, presidente do banco, em coletiva. “Tiramos a distorção entre classe do SFH, de média renda, para uma classe média um pouco mais alta”.

O banco também prevê oferecer a futuros clientes a tabela Price no financiamento imobiliário. Essa opção reduz em até 15% a parcela inicial do financiamento, mas mantém os valores das prestações originais iguais ao longo do empréstimo. Na tabela SAC, usa pela Caixa, as primeira prestação era mais elevada, mas o valor ia diminuir durante o financiamento.

Nas próximas semanas, a Caixa vai detalhar em nova modalidade de crédito, na qual os juros serão atropelados ao IPCA (índice oficial de preços), e não à TR, como ocorre hoje, indicou Guimarães.

A ideia é facilitar a venda dessa carteira de crédito pela securitização desses empréstimos. Com um indexador como o IPCA, os bancos podem fazer o hedge (proteção) comprando títulos os públicos atrelados ao IPCA. No caso da TR, não há um título federal que use essa taxa como indexador, explicou Guimarães.

O banco ainda decidiu ampliar as formas de renegociação de financiamento imobiliário atrasado. Cerca de 600 mil famílias, ou 2,3 milhões de clientes, poderão regularizar o imóvel atrasado, segundo estimativas do banco.

Ao contrário do que fez com o crédito comercial, em que a campanha da renegociação vai durar 90 dias, o banco não estabeleceu prazo para encerrar o mutirão de dívida habitacional.

A caixa espera recuperar R$ 1 bilhão com a regularização, de um universo de R$ 10,1 bilhões de dívidas em atraso de 5,2 milhões de contratos ativos – entre eles, do programa Minha Casa, Minha Vida, embora o banco não detalhe o número total desses imóveis na renegociação.

Ao quitar as pendências, defende, essas pessoas voltam a consumir-
em um momento em em que o governo precisa de uma ajuda para a retomada da economia, após o PIB (Produto Interno Bruto) recuar
0,2% no primeiro trimestre do ano.

Entenda as regras do FGTS para comprar imóvel

É necessário ter no mínimo três anos de trabalho sob regime do FGTS, não possuir financiamento no SFH e não ser dono de imóvel.

“O objetivo é ajudar as pessoas a evitarem a perda da casas, ajudar as pessoas que estão com desequilíbrio temporário financeiro, a pessoa perdeu o emprego, a fazer um esforço e tentar resolver isso ao longo do tempo, e também gerar um benefício para a sociedade brasileira, porque ao normalizar isso o máximo possível, a gente consegue ter uma volta de consumo seja para a economia, seja para a Caixa.”

Entre as opções oferecidas estão a de pagar à vista uma entrada e incorporar as parcelas atrasadas em prestações a vencer. Também poderão usar o saldo do FLATS para quitar até três prestações atrasadas, ou mudar a data de vencimento das prestações – algo que o banco não permite hoje.

O banco quer também dispensar do pagamento de juros e multa cerca de 51 mil famílias com atraso superior a 180 dias, se elas pagarem uma prestação de entrada. Segundo Guimarães, o benefício será aplicado aos casos em que juros e multa somem quase o valor de uma prestação.

Negociação

Na semana passada, a Caixa anunciou um programa de renegociação que deixava de fora débitos com garantia, como crédito habitacional. O banco também exige que o cliente tenha em mãos o dinheiro para pagar o valor acertado com o banco. A ideia é recuperar R$ 1 bilhão.

Essas dívidas têm o valor entre R$ 50 e R$ 5 milhões. São 2,629 milhões de pessoas físicas e 319,960 pessoas jurídicas. O banco vai oferecer desconto de 40% a 90% – o médio deve ficar em torno de 86%. O valor vai ser definido a partir do perfil do cliente-faixas com mais dificuldade de quitar a dívida receberão abatimento maior.



Fonte
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/06/caixa-corta-juros-no-credito-imobiliario-e-vai-renegociar-dividas-de-600-mil-familias.shtml

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